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terça-feira, 5 de maio de 2020

'E DAÍ? LAMENTO. QUER QUE EU FAÇA O QUÊ?'

terça-feira, maio 05, 2020

Ouvi muito essa frase nos últimos dias: 'E DAÍ? LAMENTO. QUER QUE EU FAÇA O QUÊ?' Foi aí que comecei a refletir que essa pode ser a resposta para muitos questionamentos de nós meros mortais.
Vamos lá refletir. Achamos a solução pra tudo.

- Mortes causadas por causa da Covid-19
R: E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?
- A Pobreza
R: E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?
- Pessoas morrendo de fome
R: E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?
Mudanças climáticas
R: E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?
Destruição da natureza
R: E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?
Guerras
R: E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?
Desigualdade e discriminação
R: E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?
Discursos de ódio na internet
R: E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?
Intolerância religiosa
R: E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?
Corrupção
R: E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?
Narcotráfico e abuso de drogas
R: E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?
Crise na educação
R: E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?
Degradação Moral
R: E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?
Suicídio
R: E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?

Viram? Se alguém te perguntar já sabe como responder de maneira simples, direta e amorosa, afinal, o amor anda cada vez mais quente entre as pessoas. É só olhar ao seu redor. Todo mundo se preocupando com o próximo, fazendo seu isolamento, respeitando assim as ordens da OMS (Organização Mundial de Saúde). E os outros que realmente precisam sair de suas casas também, todos com máscaras, alguns com luvas e álcool em gel. Que o amor prevaleça sempre, porque o ódio parece já ter tomado conta. Mas o que dizer do crescimento do ódio pelas pessoas? E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Uma morte anunciada

quinta-feira, abril 30, 2020
Ilustração: Luck Murídeo

Durante minha caminhada de manhã, paro na calçada em frente à praia. O sol me observa. Sei que está, pois minha pele começa a esquentar. Parece que o cheiro de mofo da minha pele começa a sair. Sinto cansaço! Não sei se é pelo isolamento social causado pela Covid-19 ou pela minha falta de exercícios físicos. Uma leve brisa do mar paira sobre mim. Parece querer minha atenção. Olho para o mar enquanto retomo o fôlego e observo sua imensidão.  Em sua solidão é possível notar pequenas ondas indo e voltando bem próximo da areia, que por sinal, aparenta estar mais limpa. Ao olhar mais distante, mesmo sem conseguir ver o fim de suas águas, noto uma piscina de água salgada, sem barcos e pessoas usufruindo dele. Solitário igual a mim nessa caminhada.

Após descansar, continuo a caminhar. A reta que pretendo seguir parece não ter fim. Mas não vou desanimar. Sigo mais alguns metros. No entanto, observo fitas amarelas e cones bloquearem a passagem em alguns trechos. Paro novamente e começo a refletir. Antigamente; não muito antigamente. Acho que não faz nem dois anos, um Deck muito lindo por sinal, foi criado nessa avenida da praia. Um madeiramento tratado, onde as pessoas poderiam correr, caminhar e ao mesmo tempo observar a imensidão do mar. Volto a caminhar em passos mais lentos. Vou pensando durante o caminho. Passei algumas vezes por ele. Via pessoas no deck fazendo suas famosas selfs, afinal tinha ficado muito lindo e outras pessoas precisavam ver um dos pontos turísticos da região norte de Caraguá. Não sei se é minha paixão por esse lugar, mas acho essa região uma das mais lindas da minha cidade.

Infelizmente o previsível aconteceu. O mar, mesmo em sua solidão e como qualquer ser humano, tem seus ataques de nervos quando invadem o que é dele, invadem sua privacidade e até mesmo por topar com uma simples pedra pelo caminho. Mas quando não respeitam o poder da natureza esse marzão também sabe a fúria que têm e rebate aqueles que o trataram com desdém. Resultado; pós-ressacas, o deck precisou ser desmontado. Depois começou a ceder e se despedaçar. Atualmente, quem passar por ele verá fitas, cones e buracos na calçada, causado pelo desrespeito e até mesmo mau planejamento na construção do Deck. 

Realmente lembro ter dito aos amigos, nas rodas de conversas que a obra por mais linda, já era ‘uma morte anunciada com nosso dinheiro’. Não sou engenheiro, mas o simples fato de vergalhões de ferro no mar? Até eu sei que a maresia destrói mais que cupim e isso não daria certo. Chuto uma pedra e sinto o sol me queimar mais minha pele. Paro de pensar. Bate um desânimo e interrompo minha caminhada. Dou meia volta. Não sei se pela preguiça ou pela feiúra do ex deck, ou sei lá como pode ser chamado hoje em dia. Sigo meu caminho de volta para casa, afinal, preciso passar no mercado, comprar pão e tomar meu café.

terça-feira, 28 de abril de 2020

Os efeitos do café na quarentena

terça-feira, abril 28, 2020
Ilustração: Luck Murídeo
Pego minha caneca no armário da cozinha.  O cheiro do café fresquinho me consome ao ponto de me dar água na boca.  Vou até a cafeteira e retiro sua jarra. Coloco em minha caneca café. Adoço suavemente para não estragar o gosto do café e elevo minha caneca até a boca. Durante o primeiro gole parece que a cafeína me acalma. Da janela da cozinha olho para rua. Sem nenhum movimento, não vejo as pessoas caminhando ou passando próximo de casa. Tudo está muito quieto e sombrio.  

São 6 horas da manhã e o vazio ainda toma conta da rua. Apenas para um mero e simples detalhe. Dou mais um gole no café. Agora parece que o morno do café com seu suave amargor tomam conta de mim. Meu pensamento volta a refletir para o mero e simples detalhe. A rua está vazia e sombria, mas a natureza já está na ativa. As folhas das árvores próximas da minha casa se mexem levemente. Os pássaros no céu azul e sem nuvens permanecem voando. Alguns param entre os fios de alta tensão. Outros de uma árvore a outra. Já os periquitos-verdes fazem muito barulho, eles são muitos e não devem estar de quarentena.  Consigo apenas ouvi-los, mas não observá-los. A quarentena deles é diferente.
A solidão da quarentena que me consumia desaparece. Durante o terceiro gole do bom café começo a pensar em quão grandiosa é a natureza. Somente um Deus poderia criar algo tão incrível e extraordinário que até hoje nenhum humano conseguiu copiar.

Percebi que a quarentena por mais solitária que seja é um momento de reflexões. Pra mim é observar de como somos meros coitados e mortais assustados e amedrontados.  Um simples vírus pode acabar com a vida humana de muitos. Além disso, durante a quarentena, ficando em casa é possível valorizar as coisas simples da vida como a família, a natureza e o de fazer o bem ao próximo.  Coisas que no dia a dia corrido da humanidade poucos se importavam, mas na hora da morte e da tragédia todos aprendem serem iguais uns dos outros. Essa foi minha reflexão. 

No quarto gole, sinto que o café acabou. Um carro de som com propaganda da prefeitura passa pela rua de casa e diz: “fique em casa”. Minha viagem mental me faz voltar para realidade mundial. Cuidado com o CIVID-19. Evite aglomerações. Por mais problemas econômicos que possamos ter por causa da pandemia, dinheiro a gente recupera, mas uma vida não. Largo meu minha caneca na pia. Saio da cozinha e vou passear até a sala. Sento no sofá. Ligo a Tv e conecto na Netflix. Começo a passar pelos títulos de filmes e séries. Qual o que escolher? Ainda não sei, acho que vou fazer  mais um pouco de café para saber qual efeito vai ter dessa vez.  


segunda-feira, 23 de março de 2020

A Vida é feita de promessas

segunda-feira, março 23, 2020

Agora são 3h40, na madrugada de quinta-feira (5). Não sei se foi insônia, ansiedade ou algum sonho me acordou.  Levanto; olho pela janela a solidão da noite lá fora. Só consigo ver folhas se mexendo nas arvores por causa do leve e suave vento. Puxei a cadeira e sentei. Liguei o computador que está em cima da mesa e veio na mente escrever sobre PROMESSAS.
Segundo o dicionário Houaiss, a palavra PROMESSA significa um compromisso oral ou escrito de realizar um ato ou assumir uma obrigação.  Isso me faz lembrar-se de acontecimentos em nossas vidas. Já parou para pensar quantas promessas ouvimos ou já fizemos até agora?

Quando crianças ouvimos promessas de nossos pais em diversos quesitos. Talvez se nos comportássemos na escola, na casa de um parente ou coisas desse tipo poderíamos ganhar um presente, uma regalia por tal feito. Essas e muitas outras, você, caro leitor, estimada leitora irão se lembrar. Quando estamos na adolescência, momento de descobertas e rebeldias. Prometemos aos nossos pais chegar no horário combinado, alguns cumpriam, outros contavam histórias para se safar do castigo. Esses são pequenos exemplos para nossa reflexão, ou melhor, como diz o nome da página deste jornal, para provocações em nossas mentes.

Quando estamos adultos a coisa aparenta mudar de figura. Estamos mais velhos, experientes e achamos que dificilmente seremos enganados, não é mesmo? Talvez sim, talvez não. Provoque sua mente. Aos casados, há a promessa de felizes para sempre como nos contos de fadas. Com amigos há promessas de lealdade e muitos acabam nos decepcionando. Traem-nos e apunhalam pelas costas. Em tratos comerciais acabamos acreditando nas promessas de pagamentos nas datas corretas e não são cumpridas. Aí já entra o desespero em pensar: será que um dia vou receber? Na religião também há as mais diversas promessas. Conheço gente que vende até um terreninho no céu, prometendo para o coitado do fiel uma vida segura e prospera lá em cima. E o que falar de políticos?

Aí são promessas que não acabam mais. Já vimos político messias, do povo, ditador, analfabeto, estudioso, especialista, comediante, ator pornô, sambista e assim por diante. Todos com as mais belas promessas. Se vão cumprir ou se cumpriram o que prometeram aos seus eleitores, já é outra história.  Somente você poderá saber, afinal, o voto de confiança em suas promessas foi seu.
Mas, será que criamos muitas expectativas nas promessas e culpamos os outros? Pode até ser, mas, mesmo adulto ou mais idoso, temos o mesmo pensamento de uma criança – ‘não prometa aquilo que não se possa cumprir’. E assim seguimos nossa a vida com essas promessas e nos iludimos em acreditar nelas. O sol está raiando e eu parando de escrever esse texto que ninguém vai ler por ser uma pequena viagem. 

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa: Sonho ou Realidade?

quinta-feira, maio 03, 2018

No post de hoje falarei sobre o dia mundial da LIBERDADE de IMPRENSA. Alguns repórteres que conversei me disseram que isso é uma utopia, outros já disseram que com a internet isso é possível.
Essa é uma dúvida bem cruel não é mesmo?

O dia 3 de maio é um dia de reflexão, um dia onde não pode ser esquecido. Afinal, no passado, jornalistas e militantes morreram em prol da liberdade de expressão. Claro que toda liberdade acarreta responsabilidade, e quem escreve, sabe disso.

Em muitos países do mundo, as publicações são censuradas, multadas, suspensas e encerradas, da mesma forma que jornalistas, redatores e editores são perseguidos, atacados, detidos e até assassinados. 

No Brasil não é muito diferente. Segundo a pesquisa anual da ONG Repórteres Sem Fronteiras, o Brasil vive um momento delicado para a prática do jornalismo. 
Nem precisamos falar muito né?
Fiz um breve levantamento:





No período da minha faculdade, fiz uma pesquisa sobre a imprensa. Procurei resgatar e analisar alguns aspectos da história social da imprensa brasileira, investigar sua importância na comunicação por intermédio dos jornais alternativos e a utilização no período de repressão pelos movimentos de oposição. Como ferramenta de liberdade de expressão, mostrando a realidade de 1976 a 1981. 

Das várias correntes de resistência ao Estado da época, analisaremos em especial o Movimento Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo (MOSMSP), pois, vivíamos sob ditadura militar que, com autoritarismo impunha leis e regras. Com censura na grande imprensa, as notícias eram rigorosamente fiscalizadas e só eram publicadas as informações favoráveis ao governo.
O espaço determinado da minha pesquisa foi entre 1976 a 1981em função do período de circulação do jornal alternativo Luta Sindical.

Este jornal foi lançado em 30 de janeiro de 1976, circulou bimestralmente até meados de 1980 e, após esse ano, tornou-se edição mensal.


Existiram vários outros jornais no passado, com vários artistas, escritores, jornalistas e intelectuais. Hoje as coisas mudaram? Temos a tão sonhada liberdade de imprensa ou é só uma utopia? Ou apenas há uma falsa liberdade? Dia Mundial da Liberdade de Imprensa: Sonho ou Realidade?

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Da série: “VIREI PAI! E AGORA”? O Golpe para não ir à Escola

segunda-feira, setembro 04, 2017

Olá galera!! Da Série: “Virei Pai! E agora, falarei do golpe para não ir para escola. Essa semana o meu filho Cauã acordou como de costume, para ir à escola. No entanto, de uma forma bem diferente. Acordou chorando e dizendo que não queria ir.

Claro que achei muito estranho e comecei a fazer algumas perguntas. Filho alguém brigou com você e por isso não quer ir? Pegaram seu brinquedo? Não deixaram você brincar? E por aí vai, para tentar descobrir por qual motivo ele não queria ir.

Ele disse que ninguém havia feito nada, ele apenas queria ficar em casa com a mamãe ou comigo.
Eu e a mãe coruja achamos estranho ele ter essa atitude, afinal, essa foi a primeira vez que ele fez isso.  Sabe quando uma criança faz aquela carinha de coitadinha, do tipo, não sejam maldosos comigo? A mãe de coração mole explicou que eu e ela precisaríamos trabalhar e que não daria para ficarmos com ele em casa. Eu realmente achei estranho e digo de passagem também me rendi ao seu pedido. Resultado? Deixamos ele faltar e levamos ele para a casa da vó.

Pronto, já tínhamos caído no golpe da escola. Ligamos para saber se ele estava bem durante o dia e a vó respondeu: - Sim, ele está vendo desenho. Pensei e refleti, como pode né, talvez ele queria faltar porque estava frio, ou porque ele realmente queria ver um desenho e conseguiu driblar dois adultos para conseguir faltar na escola.

Claro que eu também já dei golpes nos meus pais, mas eu era um pouco mais velho, ou melhor, quem já não deu um golpe desses para faltar na escola?

Depois disso, esse golpe da escola não funcionou mais, agora ele está com um novo golpe para não querer comer toda a comida. Mas esse conto na próxima aventura!!! 

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Um passado dos Tempos Modernos

segunda-feira, maio 29, 2017
Foto:TJM

Acredito que a grande maioria já assistiu ao Filme "Tempos Modernos" de Chaplin. Ele é de 1936, um passado dos tempos modernos que vivemos. Sua crítica sobre maus tratos da classe operária durante a Revolução Industrial pode ser considerada nossa atualidade. Não vou entrar em todos os detalhes do filme, mas vamos logo falar do que me chamou mais atenção.

Em uma fábrica, um operário é trabalha na linha de montagem, onde ele parafusa uma peça. O patrão nunca satisfeito com a produção pede para seu encarregado acelerar a máquina.  
Ele finalmente sofre um colapso nervoso e corre, deixando a fábrica no caos. Logo ele é enviado para um hospital e depois dispensado.

Aí me pergunto, será que hoje isso mudou? Uma boa pergunta né?
Em pesquisa realizada em 2012 sobre as condições de saúde e trabalho na América Central, por exemplo, mais de 10% dos entrevistados relataram se sentir constantemente pressionados e estressados no trabalho, tristes ou deprimidos, com problemas de insônia devido às preocupações sobre suas condições de trabalho.

O impacto do estresse no trabalho na saúde e produtividade dos profissionais, além de medidas para reduzir o problema, foi o foco no ano de 2016 da web conferência promovida pela Organização Pan-Americana de Saúde/Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS), Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Organização dos Estados Americanos (OEA), onde uma pesquisa argentina de 2009 mostrou que 26,7% dos profissionais relataram estresse mental relacionado às cargas excessivas de trabalho. 

No Brasil, um estudo sobre afastamento devido a acidentes e doenças ocupacionais descobriu que 14% dos benefícios anuais de saúde foram relacionados a transtornos mentais. Por último, pesquisa de 2011 feita pelo Chile revelou que 27,9¨% dos trabalhadores e 13,8% dos empregadores relataram casos de estresse e depressão em suas empresas. 

E as informações não param por aí, mas o foco do post é a uma reflexão sobre como estamos levando a vida dentro do nosso ambiente de trabalho, se precisamos mudar algumas coisas, afinal passamos de 8 ou até mais horas trabalhando.
Realmente tenho que tirar chapéu para o Chaplin, um visionário que usou o cinema e suas linguagens para realizar duras críticas a sociedade, isso em um tempo não tão evoluído como hoje. 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Nada melhor que um papo de boteco

quinta-feira, maio 04, 2017
Foto: Facebook/Divulgação

Hoje começarei meu texto de uma forma diferente. Contarei como foi minha tarde. Eu parei no Boteco da Mara, uma cantora da nossa região, conhecida como Mara Amaral, uma das nossas que valoriza a cultura em nossa cidade.  Eu parei e vi dois homens conversando; o músico Wander Peixoto e o artista, desenhista, criador de caricaturas, Alexandre Mattos. Como todo mundo diz “nada melhor que um papo de boteco” para fazer amizades.

Foto: Divulgaçã/TJM
Nesse momento, eu estava tomando uma cerveja gelada e ouvi a conversa. Eles diziam sobre a dificuldade dos artistas serem valorizados pelas pessoas; ou seja, todos querem dar preço em nossos trabalhos sem analisar nosso dom, tempo de estudos e talentos. Na hora me envolvi no assunto e começamos a conversar.  E aí é papo vem, papo vai, um fala sobre seu trabalho, outro mostra desenhos, e o debate continua; enfim, os contatos foram feitos.

Wander precisou ir embora, pois tinha alguns compromissos, eu e Alexandre continuamos a conversa. Eu como sempre observando todos os detalhes, cada movimento das pessoas ao meu redor. Em seguida um homem de meia idade se aproxima de nosso artista e pede dinheiro. Alexandre de bermuda e camiseta, seu cabelo preso, mochila nas costas, pronto para ir a São Sebastião, olha para o senhor e diz, “se for para comer pode pedir”. Achei isso incrível, acabamos de conversar sobre a desvalorização de artistas e como corremos para ganhar nosso sustento. Ao mesmo tempo, ele se propôs em estender a mão a uma pessoa que não conhecia.

Fiquei curioso e continuamos a conversa, Alexandre explicou que a honestidade em querer comer o motivou em pagar um salgado e um refri para o senhor. Fui logo perguntando mais sobre a história do desenhista, e ele foi explicando brevemente que já viveu em Portugal, contou mais sobre trabalhos na região e em outros lugares que já trabalhou e como faz para viver da arte.

Infelizmente ele precisava pegar o buzão e ir para sua cidade, São Sebastião, mas é o mais novo contato que eu tenho.  Combinamos de nos reencontrar e conversar mais sobre propostas, trabalhos e tudo mais. O que me chama mais atenção, tudo isso foi feito durante o famoso papo de boteco. E você, já fez amigo bebendo leite?
https://www.facebook.com/alexandre.mattos.kne?fref=ts



quarta-feira, 3 de maio de 2017

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa: "É preciso não ter medo, é preciso ter a coragem de dizer”

quarta-feira, maio 03, 2017

Foto: João Ricardo Leite
Hoje comemora-se a liberdade de imprensa. Não sei se é algo possível de comemoração, mas somos um pouco mais livres. A internet tenta ajudar com essa liberdade, no entanto, também favorece a repercussão de informações sem responsabilidades. Sabemos que a imprensa procura apurar e informar a sociedade.

No Brasil observamos em um passado não muito distante, o período da ditadura, jornais eram censurados pelo AI-5; em resumo: só se publicava notícias autorizadas pelo governo. Aí surgiram os jornais alternativos, tendo um papel importantíssimo para tentar combater a censura. Muitos militantes e jornalistas sofriam com isso. O governo torturava e procurava exterminar os chamados subversivos.

Será que os militares tentavam realmente acabar com tais militantes a favor da liberdade? Isso já está mais que comprovado, muitos até hoje jamais foram encontrados e tento nesse texto expressar uma homenagem aos combatentes da repressão, afinal, se não fossem eles no passado, não teríamos o mínimo de liberdade. Podem me chamar do que quiserem, coxinha, fascista, retardado, louco, não importa, eu respeito a opinião de todos mesmo não concordando.


Carlos Marighella, assassinado nesse período dizia: " A ditadura surgiu da violência empregada pelos golpistas contra a nação, e não pode esperar menos do que violência por parte do povo. Os brasileiros estão diante de uma alternativa. Ou resistem à situação criada ou se conformam com ela. O conformismo é a morte. Há os que tem vocação para escravo, mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão. É preciso não ter medo, é preciso ter a coragem de dizer”.


Hoje temos a democracia, na minha visão uma democracia mascarada, finge-se liberdade. A luta a favor da liberdade será constante. Jack London afirma, " já se passaram muitos anos desde que eu mergulhei na luta para transformar a política, para dar a todos os homens e a todas as mulheres uma oportunidade igual. Na verdade, sinto-me uma espécie de veterano, quando penso nos longos anos dessa luta. Não sou exatamente um veterano derrotado, mas já não espero, como recruta animoso, vencer e capturar o inimigo ao nascer do sol do dia seguinte. Sou veterano que não tem esperanças de ver o fim da campanha, nem faz previsões sobre a data em que terminará".

Foto: Regis Thiago/Arquivo
Cármen Lúcia, Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou no 7º Fórum de Liberdade de Imprensa e Democracia, organizado pela revista Imprensa e publicado pela EBC, o seguinte, “como cidadãos, os jornalistas têm o dever social e político de discutir, chegar a um consenso na categoria e fazer com que a discussão chegue à sociedade, fomentando o debate. São os jornalistas, como quem têm mais informações sobre o ofício, que podem ver isso”.

Como jornalista, eu também acredito que temos um grande papel, afinal fizemos um juramento.  

“Apenas a independência, o caráter, a objetividade e o bom julgamento do jornalista e da mídia são capazes de superar as terríveis tempestades do mundo contemporâneo, que ameaçam a liberdade de informação em todos os lugares”. Essas palavras foram escritas por Guillermo Cano Isaza, jornalista colombiano assassinado em 1986, e elas continuam a ecoar hoje, 33 anos depois.   

É só analisar ao nosso redor, pensar e tirar suas conclusões. Assim finalizo com uma frase que gosto muito, “É preciso não ter medo, é preciso ter a coragem de dizer”.